mardi, janvier 09, 2007 - post esporádico #1 - Pela Janela Azul

esporádico
[Do lat. med. sporadicu <>sporadikós.]
Adjetivo.
1.Disperso, espalhado.
2.Acidental, casual, raro
3.Med. Diz-se das doenças não endêmicas nem epidêmicas,
que atacam acidentalmente um ou outro indivíduo. ~ V. meteoro —.


Pela Janela Azul - meio acidental, confesso.

Na dança dos planos focais, ora vislumbrava a poeira e maresia de outros tempos que, esquecidas, ficaram no vidro, ora sintia a praia em si. As nuvens dando suporte aos olhos; dimensionar o mar de sentimentos e diferí-lo do mar que a cercava, à vista. Para lembrá-la dos limites e horizontes, três ilhas seguiam ao longe, numa proporção quase que hierárquica; no reino marítimo da ilusão. Ilhas? Seriam mesmo ilhas? Pela primeira vez na vida conseguiu admirar a possibilidade de monstros no oceano. Algo que se parecia com uma lagarta numa desproporção absurda oscilando entre esconder-se n'água e aparecer na superfície morta do oceano, rumo ao nunca. E as ondas, cruéis interjeições da natureza -porque o belo não é o caos; ondas quebrando sem parar. A sensação do não-esquecimento, provinda de outras épocas; podia testar o gosto do sal na boca e a quase-onda prestes a quebrar a levantando do chão. "- Bah..isso não dá pé." - reclamou a guria. Castelos de areia, infância e sol. "Nostalgias de verão...". Não percebia bem ao certo o passar das horas, tão irrelevantes nesses tempos de janeiro. E o mar era a tonalidade mais cinza que já havia apreciado; para esquecer o asfalto, ruídos e poluição. O cinza que infiltrava em sua vida nos tropeços dos ponteiros era maior que a própria ausência de cor, em sua ausência de fôlego. Ah! Poderia permanecer mais incontáveis suspiros assistindo à vida pela janela azul.



:) dezesseis dias.


lundi, janvier 01, 2007 - então, novo ano.

Retrospectivas me enojam. Não preciso de ninguém para me lembrar da composição química das lágrimas que, teimosas, insistiram em hidratar meu rosto, do álcool que bebi para fugir do mundo, e dos beijos que não dei, por vergonha ou tristeza, tanto faz. Findos todos os 365 tijolos em ruínas no meu palácio de areia, férias; vou deixar o mar me levar pra algum lugar; vou me deixar afogar. Como lunáticos na minha calçada, as inspirações se esvaem; já fartas de tanto champagne, desistem de contar um novo ano. 365 suspiros. E passa tão devagar...




Dessa vez, o sol da pátria amada que me perdoe, mas vou para Montauk, admirar a neve das praias e a luz dos faróis. Vejo vocês em junho e, esporádicamente em algum post pelo meio do caminho!
Enfim, estarei morando no canadá até junho e lamento não poder garantir a mesma assiduidade desses últimos 6 meses mas a qualidade é a de sempre :)
Se tiverem interesse, vou publicar minhas aventuras na tal terra desconhecida por meio deste endereço aqui
http://destinodoispontos.blogspot.com

fica aí a dica ;)
Partirei apenas em três semanas contudo, minha cabeça já está mais lá do que cá.
desejo a todos um bom ano!
Abraços e até junho!


lundi, décembre 25, 2006 - natal.

I
A vida desfocada em meio às lâmpadas que aqueciam a sala; suficientemente grande e bem acolhedora, com seus enfeites em vermelhos e verde que, no fundo, tinham um quê de inverno. Os adornos preenchiam as lacunas e a vida era provocada pelas roupas elegantes e papos animados dos convidados. A ausência de crianças era uma luz a menos a piscar na antiga árvore, uma forma que esmorecia um pouco mais o ambiente. Não que a presença destas tivesse sido, nas outras datas do ano, tão necessária, bem vinda ou importante porém, neste específico dia, ajudavam a recriar as alegrias infantis cuja existência era esquecida noa âmagos adultos. As bocas enxeridas costumavam anunciar o seu desgosto pela infância - provavelmente tão repleta de dissabores que nem que nem mesmo cobertura de chocolate resolveria. Acreditar na inocência perdida e tornar irrelevantes o olhar embaçado e o nó na garganta era, quem sabe, até mesmo inútil.

II
Carregava sempre um soldadinho de madeira que costumava enfeitar seus solitários sonhos natalinos, quando ser criança ainda fazia parte da sua realidade. Boneco esse cujo braço fora quebrado e extraviado por algum louco, sem coração. Procuraria fazer com que isso não adquirisse significados adicionais, além do bem simples fato de ser um adorno natalino inutilizável e só. E só eram os sonhos natalinos dos quais sentia saudades; Daquilo que não foi ou, talvez, do que que não percebeu. Os presentes eram raros e os votos, vazios. Ofuscava-se numa nostalgia encenada, onde a neve e os cachecóis eram atirados ao longe pelo ventilador que tentava, quase em vão, refrescar os convidados. E as luzes a piscar, entre suor e lembranças ouviu um som longíquo: o tilintar dos copos.
" - Um brinde ao aniversariante! - Bradou ,já quase
bêbado, o dono da casa.
- Aniversariante? - Num tom de sussurro, assim meio perdido, ela questionou.
- É... Jesus! - Uma resposta tão óbvia e ela não sabia!
- Ah.. sim. Desculpe... não sou religiosa. " - Não sentia culpa alguma afinal,sempre comemorara a data por simples costume."

III
Luzes piscando, o calor dissolvendo seus sonhos, o cheiro de calda de chocolate. Onde foi parar sua amargura? A imagem do soldadinho pairando no ar; sendo levado pelo ventilador. Cachecóis e neve, tudo tão branco. Votos de paz, alegria e amor. Orações, desculpas e saudades, músicas e cantos. Sozinha, no canto. Tilintar de copos.
"- Aceita farofa, querida?
- Ah, sim, por favor! Farofa doce é o melhor do Natal depois dos presentes! Aliás, nesses tempos, é o melhor do natal."
E as coisas começaram a retomar suas faces deformadas dotadas de uma realidade indubitável. "Droga! - exclamou meio confusa. Devaneios natalinos sempre me perseguem.".




Feliz Natal para quem o comemora!

E o Desespero Poético passou para a Segunda Fase do Concurso de Blogs!
Gostaria de agradecer os votos que já recebi e convidar todos a participarem da votação deste concurso.



lundi, décembre 18, 2006 - dezembro.

É no caminhar dessas tardes de dezembro que sinto o tempo passar, dissipando-se, por minha vida. Um olhar rápido sobre tudo aquilo que foi, e amargo pelo o que será. Junto aos passos, a fadiga óssea de uma vida que nunca foi minha acompanhava o sol que, incômodo, junto à pele, coloria os transeuntes ocupados em adornar os já manchados e enrugados olhares das senhoras que à janela se sentavam para, tarde à fora, papear. O velho caminho que, pela última vez, me levava à casa; tantas vezes por lá passei, a admirar o movimento, os corpos na rua -ao vento; e o vento a levar, pra longe, minhas preocupações, a cada fim de tarde. E eu sabia que o céu, azul, a borrar minhas retinas, deixaria de representar o desespero que, prostrado, escondia-se em mim. Mas desconhecia a devastação das horas e surpreendeu-me o ocorrido de que a rotina um dia tornaria-se memória e, foi fato, tornou-se fim.


-and I want to thank you for giving me the best day of my life;


Marketing: Minhas fotos no FLICKR

Bruna Rasmussen, 16 anos; Curitiba


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